Quantas lástimas volteiam no ventre das coisas belas?...
Quantos gestos odiosos se embuçam no significado das palavras excelsas?.


Com o meu dilecto e inesquecível amigo José Machado jamais terei hipótese alguma de comunicar. Resta-me o eloquente método de Santo António (considerado milagre) a falar para os peixes. SÃO SAUDADES MEU AMOR = Não há que ter saudades esmagadas / feitas de amor por alguém que passou / quem as tiver tem penas arrancadas / da asa-dor que nunca mais voou. = Saudades são pedaços de partida / que nos traíram no adeus cais / e nunca mais serão capazes de ser vida / por que partiram e não voltam mais, Saudades, não há que ter saudades, meu amor / saudades, quem não tiver saudades, não tem dor; / saudades são as rédeas do tempo / nesse cavalo ao vento / são saudades meu amor. Não há que ter saudades naufragadas / na mar+e viva do mar do pensamento / para esquecer as coisas mais amadas / a lei da vida deu-nos a lei do tempo; / saudades são destroços de aventura / onde a tristeza pelo peito / recordações com cinzas por moldura / na dor acesa de um sonho imperfeito. Saudades, não há que ter saudades, meu amor / saudades, quem não tiver saudades, não tem dor; / saudades são as rédeas do tempo / nesse cavalo ao vento / são saudades meu amor.

Com a minha simpatíquissima e assaz linda amiga Joana terei decerto algum tempo mais para convívio, quiçá para transformar quanto me resta de amargura existencial em sólida conformação e consolar o espírito com poesia.